Indielândia

Agora que as listas dos melhores do ano e da década começam a ser lançadas por várias publicações, blogs, sites e análogos impõe-se corrigir uma das ausências que, na minha opinião, marcaram a indielândia.

Se aos primeiros acordes os Dirty Projectors não convenceram os meus pouco treinados e teimosos tímpanos com "Bitte Orca" esse efeito esgotou-se talvez pela simples razão de este ser o seu trabalho mais acessível. Mantém-se a característica omnipresente da experimentação e da fusão de estilos mas há em "Bitte Orca" uma candura e uma paz que é raro encontrar nas bandas da actualidade. Simultaneamente, os momentos mais enérgicos contemplam uma dose invejável de irreverência e arrojo que estão muito longe de ser apenas e só recomendáveis.

Dirty Projectors - Cannibal Resource


Outros dos regressos é o de Devendra Banhart. Tal como os Dirty Projectors também Devendra opta por uma abordagem mais directa, de sonoridade mais abragente e inteligível. Menos experimental, "What Will We Be" é para alguns um sinal de amadurecimento, enquanto para outros é uma tentativa mais comercial agora que está associado a uma Major. Apesar de não apreciar a associação directa, a sonoridade é eminentemente de Verão, de esplanada na praia com uma bebida fresca e a companhia de bons amigos, tal é a descontracção e a luminosidade dos sons de "What We Will Be".

Devendra Banhart - Baby (live)

Virooooouuu


Jorge Cruz, B Fachada, Bernardo Barata, João Gil e João Pinheiro formam o colectivo Diabo na Cruz, mais uma recomendável aventura musical com o carimbo da Flor Caveira.

Apresentam uma mistura entre o "panque-roque", a folk e música tradicional portuguesa como o corridinho ou o folclore, numa fusão que tem todos os ingredientes para transformar cada canção numa experiência divertida, efusiva e contagiante.

"Dona Ligeirinha" foi o single de apresentação retirado do álbum "Virou", lançado no mercado no dia 9 de Novembro.

Que bem estaria a Música Nacional se todos os novos projectos tivessem este arrojo e esta capacidade de inovar.

www.myspace.com/diabonacruz

Diabo na Cruz - Loucos from Tiago Pereira on Vimeo.

Laia


Laia é um nome a somar à lista de novas bandas que merecem ser acompanhadas no futuro.

Os Laia são Milton Castro e Hélder Almada e o seu álbum chama-se "Viva Jesus e Mais Alguém".

A descrição do Santos da Casa (RUC) diz muito sobre o som desta banda:
«“Viva Jesus e Mais Alguém” é um álbum intenso, feito de vário andamentos, onde a voz quando aparece funciona quase como mais um instrumento. Quando tudo é feito de forma tão manual, mas tão sentida, podemos afirmar que estamos perante uma peça do mais requintado artesanato."»
Nuno Ávila

Altamente recomendável!


Laia - Abater (acústico)

http://www.myspace.com/laiamusica

Novo Tindersticks em 2010



É esta a capa do novo trabalho dos Tindersticks: "Falling Down a Mountain". Tem lançamento previsto para 16 de Fevereiro de 2010 e "Black Smoke" é o single de apresentação.


Tinderstick - Black Smoke

Recordações


Nirvana - Smells Like Teen Spirit (video "alternativo")


The Doors - Love Two Times

Ane Brun em Portugal

A notícia merece destaque no site da cantora norueguesa. No seguimento do lançamento (bastante tardio) de "Changing of the Seasons" no mercado português, Ane Brun confirma visita ao nosso país em 2010.

Ane Brun - Casa das Artes de Famalicão - 6 de Março 2010


Ane Brun - Changing of the Seasons

António Sérgio (1950-2009)




Xutos e Pontapés - Sémen

Nick "Bunny" Cave

Quando há alguns anos atrás Nick Cave prometeu mais do que um novo trabalho por ano confesso que não acreditei. Ficou gravado na minha memória como uma daquelas frases de circunstância que se sabe que agradam, como uma banda afirmar durante um concerto que somos o melhor público do Mundo. Ou como quando Santana Lopes admitiu pode estar disposto a ocupar o cargo de vereador da Câmara de Lisboa, depois de perder a eleição. Se bem que aqui, a noção de "notícia que agrada" é bastante discutível. Voltemos a Cave...

Nos últimos meses, surgiram um livro e um disco novos, sendo que a banda sonora para "The Road" de John Hillcoat não deve tardar. O álbum, "White Lunar" agrupa o trabalho de Cave e Warren Ellis nas diversas bandas sonoras nas quais participaram (filmes e documentários). "The Proposition", "The Assassination of Jesse James" e "The Road" ocupam lugar de destaque no primeiro dos dois CDs que compõem "White Lunar".

Já o livro "The Death of Bunny Munro" tem captado outras atenções, não só porque Nick Cave não lançava um livro desde "And the Ass Saw the Angel" (1989) mas também graças ao sucesso de vendas que tem representado. É uma escrita diferente da das suas canções, sem deixar de incluir em todo a história alguns dos elementos que definem a sua composição como o Amor, os lados sombrios da existência humana e, claro está, a Morte.


Cave opta, ao longo de toda a obra, por criar um equilíbrio entre as duas principais personagens do livro: Bunny Munro e o seu filho. O primeiro, um depravado sexual, consumidor ávido de álcool e drogas e adorador das vaginas de Avril Lavigne ou Kilie Minogue; o segundo, uma criança inocente que tem no seu pai ausente a imagem de um ídolo.

De leitura fácil, Cave consegue com Bunny Munro criar um personagem que apesar de toda a sua ausência de equilíbrio, amor próprio e até racionalidade, desenvolve no leitor um certo carinho e preocupação.

Nick Cave está actualmente em tournée que, até ao momento não inclui datas no nosso país. Os espectáculos são bastante restritos, em salas pequenas, mas a jugar pelo sucesso "The Death of Bunny Munro", nas tabelas dde vendas, não deve tardar o anúncio da data das próximas visitas.


The Death of Bunny Munro Trailer